
“A noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José? [...]”
Técnicas e táticas ficarão por conta de outro texto. Tampouco quero falar sobre minha paixão pelo Grêmio, que segue inalterada apesar da derrota de hoje. Amar o Grêmio já faz parte de minha necessidade vital, como a de muitos gremistas. Porém, o sentimento não me deixa não abrir os olhos para o que está acontecendo com o time, muito menos me impede de gritar: Cansei, e agora?
O futebol do Grêmio, não é de hoje, vem sendo discutido pela torcida e imprensa. Muitas vezes, as reclamações são abafadas por falsas boas atuações. O fato é que o clube e torcida precisam discutir a relação, como marido e mulher que já cansaram da mesma coisa na cama e as contas e os filhos problemáticos começam a afastar o casal.
Desde 2001, após o tetracampeonato da Copa do Brasil, o Grêmio vem constantemente batendo nas traves e empilhando Estaduais. Além disso, em 2005 vivemos a Batalha do Aflitos, fato marcante e beatificado pelo nosso presidente. Não podemos deixar de concordar que foi um momento histórico, mas se prender a esse fato é burrice. A imortalidade deve ser rota de fuga e não plano principal.
Tudo isso culminou com a perda do campeonato gaúcho nos pênaltis, após vencer o Inter no Beira-Rio. Jogos anteriores já me davam sinais que este texto seria escrito, porém preferi me manter em silencio, e apoiando o Grêmio até o fim. Pois, o fim chegou, e da pior maneira possível.
O Grenal nos fez perceber que muitas coisas precisam ser mudadas, os jogadores em campo cometem erros bobos, no banco há pouco e no departamento médico há muitos. Percebe-se uma falta de planejamento, falta contratações. E qualquer erro do juiz ou habilidade do adversário ficam pequenos, pois o Grêmio segue perdendo para o Grêmio.
No próximo domingo, começa o Campeonato Brasileiro e o Grêmio enfrentará o Corinthians, no Olímpico. Se quisermos ter uma boa campanha, o caminho será longo. Falta planejar, contratar e arrumar a casa. Só não vale abandonar o barco. A paixão pelas três cores, que eu amo onde estiverem, é grande. E por isso eu pergunto, parafraseando Drummond, e agora?
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!"
José –
Carlos Drummond de Andrade















